A declaração do Imposto de Renda é um tema que preocupa uma boa parte dos brasileiros que investem. Seja por desconhecimento do sistema ou por medo de errar, trata-se de um momento importante que exige atenção e organização. Afinal, todos os investimentos precisam ser informados à Receita Federal anualmente, e o Tesouro Direto não é exceção.
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Além disso, muitos investidores ficam confusos sobre como funciona a cobrança do imposto, quais são as alíquotas aplicadas e em quais seções do programa da Receita Federal cada informação deve ser inserida. Portanto, neste guia completo e atualizado, você vai aprender passo a passo como declarar o Tesouro Direto no Imposto de Renda de forma correta, simples e sem estresse, evitando erros que podem resultar em malha fina.

O Que é o Tesouro Direto e Por Que Ele Precisa Ser Declarado
O Tesouro Direto é um programa do governo federal criado em 2002 com o objetivo de democratizar o acesso aos títulos públicos para pessoas físicas. Por meio dele, qualquer brasileiro com CPF e conta em uma corretora ou banco habilitado pode investir em títulos emitidos pelo Tesouro Nacional com valores a partir de aproximadamente R$ 30.
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Apesar de ser um investimento seguro e com tributação automática, o Tesouro Direto precisa ser declarado anualmente no Imposto de Renda. Isso ocorre porque a Receita Federal exige que todos os contribuintes informem seus bens, direitos e rendimentos, independentemente de o imposto já ter sido recolhido na fonte. Dessa forma, a declaração serve para que o fisco tenha uma visão completa do seu patrimônio e das suas movimentações financeiras ao longo do ano.
Quem É Obrigado a Declarar os Investimentos no Tesouro Direto
A obrigatoriedade de declarar os investimentos no Tesouro Direto segue as regras gerais do Imposto de Renda. Sendo assim, se você se enquadra em qualquer uma das condições de obrigatoriedade — como ter recebido rendimentos tributáveis acima do limite anual, ter bens acima de R$ 800 mil ou ter realizado operações em bolsa — você precisa declarar todos os seus investimentos, incluindo os do Tesouro Direto.
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Além disso, mesmo que você não tenha resgatado nenhum título durante o ano, ainda assim deve informar o saldo investido na seção de Bens e Direitos da declaração. Portanto, manter um registro organizado dos seus investimentos ao longo do ano facilita muito o processo na hora de declarar.
Como Funciona a Alíquota Regressiva do Imposto de Renda no Tesouro Direto
Um dos aspectos mais importantes para entender antes de declarar é como funciona a cobrança do Imposto de Renda sobre os rendimentos do Tesouro Direto. O programa segue a tabela regressiva de IR, o que significa que quanto mais tempo o seu dinheiro permanece investido, menor será a alíquota cobrada sobre os rendimentos.
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Essa é uma vantagem significativa para investidores de longo prazo, pois além de os rendimentos crescerem com o tempo, o imposto cobrado sobre eles diminui progressivamente. Consequentemente, manter os títulos até o vencimento é sempre a estratégia mais vantajosa tanto do ponto de vista financeiro quanto tributário.

Tabela Regressiva de Alíquotas do IR no Tesouro Direto
A tabela regressiva do Imposto de Renda aplicada ao Tesouro Direto é dividida em quatro faixas de tempo. Para investimentos mantidos por até 180 dias, a alíquota é de 22,5% sobre os rendimentos. Entre 181 e 360 dias, a alíquota cai para 20%. No período entre 361 e 720 dias, a alíquota é de 17,5%. Por fim, para investimentos mantidos por mais de 720 dias, a alíquota cai para apenas 15%, que é a menor possível.
Vale reforçar um ponto fundamental: o imposto incide apenas sobre os rendimentos, e não sobre o valor total investido. Portanto, se você investiu R$ 10.000,00 e obteve um rendimento de R$ 1.000,00, o IR será cobrado apenas sobre os R$ 1.000,00, e não sobre os R$ 11.000,00 do total acumulado.
O IOF Também Pode Ser Cobrado em Resgates Antecipados
Além do Imposto de Renda, existe outro tributo que pode ser cobrado em casos específicos: o IOF, Imposto sobre Operações Financeiras. Esse imposto incide apenas sobre resgates realizados em menos de 30 dias após a aplicação, com alíquotas que variam de 96% no primeiro dia até zero a partir do 30º dia.
Sendo assim, para evitar a cobrança do IOF, o ideal é sempre manter o investimento por pelo menos 30 dias antes de qualquer resgate. Após esse período, apenas o Imposto de Renda seguindo a tabela regressiva será descontado sobre os rendimentos.
Como o Imposto de Renda é Pago no Tesouro Direto
Uma das grandes vantagens do Tesouro Direto é que o pagamento do Imposto de Renda é completamente automático, sem necessidade de nenhuma ação por parte do investidor. O imposto é descontado diretamente pelo banco ou corretora antes de o valor ser depositado na conta do investidor no momento do resgate ou vencimento do título.
Portanto, você não precisa se preocupar em calcular o imposto nem em emitir nenhum tipo de guia de pagamento. No entanto, mesmo que o imposto já tenha sido recolhido na fonte, a declaração anual ainda é obrigatória para quem se enquadra nas regras gerais do IR. Além disso, é importante guardar o Informe de Rendimentos fornecido pela sua instituição financeira, pois ele será indispensável na hora de preencher a declaração.
Quando Acontece a Cobrança do Imposto no Tesouro Direto
O imposto de renda é cobrado em três situações específicas no Tesouro Direto. A primeira é no resgate antecipado, ou seja, quando o investidor decide vender o título antes do vencimento. A segunda é no vencimento do título, quando o prazo contratado se encerra e o valor é automaticamente devolvido ao investidor. A terceira é no pagamento de juros semestrais, que ocorre em títulos específicos como o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais e o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais.
Em todos esses casos, o desconto é automático e realizado pela instituição financeira antes do crédito na conta. Dessa forma, o investidor recebe sempre o valor já líquido de impostos, sem necessidade de nenhum cálculo adicional.

Passo a Passo: Como Declarar o Tesouro Direto no Imposto de Renda
Agora que você já entende como funciona a tributação, é hora de aprender o passo a passo de como declarar o Tesouro Direto no Imposto de Renda corretamente. O processo envolve duas etapas principais: declarar o saldo investido na seção de Bens e Direitos e declarar os rendimentos na seção de Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva e Definitiva.
Antes de tudo, o primeiro passo é obter o Informe de Rendimentos junto ao seu banco ou corretora. Esse documento é disponibilizado normalmente no início de cada ano, geralmente em janeiro ou fevereiro, e contém todas as informações necessárias para a declaração, incluindo o saldo investido no final do ano anterior e os rendimentos obtidos durante o período.
Declarando o Saldo na Seção Bens e Direitos
Com o Informe de Rendimentos em mãos, abra o programa da Receita Federal e acesse a ficha chamada Bens e Direitos. Nessa seção, clique em Novo e selecione o código correspondente aos títulos públicos, que normalmente é o código 45 — Aplicação de renda fixa, CDB, RDB e outros.
Em seguida, preencha o CNPJ da instituição financeira, o nome do banco ou corretora e o saldo investido no dia 31 de dezembro do ano de referência. Caso você não tenha tido o título durante todo o ano, preencha o valor zero no campo referente ao 31 de dezembro do ano anterior e o saldo atual no campo do ano de referência.
Declarando os Rendimentos na Seção Correta
Após declarar o saldo investido, o segundo passo é informar os rendimentos obtidos. Para isso, acesse a ficha Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva e Definitiva e clique em Novo.
Selecione o código 06, que corresponde a Rendimentos de aplicações financeiras, e preencha o CNPJ e o nome da instituição financeira, além do valor dos rendimentos informado no Informe de Rendimentos. Lembre-se de que esse valor já é o rendimento bruto antes do desconto do IR, conforme consta no documento fornecido pelo banco ou corretora.
Caso você tenha títulos em mais de uma instituição financeira, repita o processo para cada uma delas individualmente, criando um novo registro para cada instituição. Dessa forma, a Receita Federal terá acesso a todas as suas operações de forma completa e transparente.

Dicas Importantes para Não Cair na Malha Fina
Existem algumas dicas fundamentais que podem ajudar você a declarar o Tesouro Direto no Imposto de Renda sem erros e sem risco de cair na malha fina. Em primeiro lugar, sempre confira se os valores que você inseriu na declaração correspondem exatamente ao que consta no Informe de Rendimentos. Qualquer divergência pode gerar inconsistências que atraem a atenção da Receita Federal.
Em segundo lugar, fique atento ao prazo de entrega da declaração, que normalmente vai de março a maio de cada ano. Declarações entregues fora do prazo estão sujeitas a multas que começam em R$ 165,74 e podem chegar a 20% do imposto devido, além de juros de mora.
Em terceiro lugar, guarde todos os documentos relacionados aos seus investimentos por pelo menos cinco anos, pois a Receita Federal pode solicitar comprovações dentro desse prazo. Por fim, se você tiver dúvidas sobre algum campo da declaração, consulte um contador ou utilize o serviço de orientação da própria Receita Federal antes de enviar o documento.
Erros Comuns na Declaração do Tesouro Direto e Como Evitá-los
Um dos erros mais comuns é não declarar o saldo investido na seção Bens e Direitos por acreditar que apenas os rendimentos precisam ser informados. Na verdade, tanto o saldo quanto os rendimentos devem ser declarados em seções distintas do programa. Portanto, não se esqueça de preencher as duas fichas.
Outro erro frequente é informar o valor total resgatado no lugar do rendimento na seção de rendimentos. O valor correto a ser informado é apenas o rendimento obtido, ou seja, o lucro, e não o valor total que você recebeu de volta incluindo o principal investido. Além disso, confundir o CNPJ do Tesouro Nacional com o da corretora é outro equívoco que pode gerar problemas, por isso sempre use os dados exatos conforme constam no Informe de Rendimentos.
FAQ: Perguntas Frequentes sobre Como Declarar o Tesouro Direto no Imposto de Renda
Sim. Mesmo que você não tenha resgatado nenhum título durante o ano, o saldo investido deve ser informado na seção Bens e Direitos da declaração anual do Imposto de Renda.
Porque a declaração anual serve para informar à Receita Federal todos os seus bens, direitos e rendimentos, independentemente de o imposto já ter sido recolhido na fonte. São obrigações distintas e complementares.
O código correto é o 45, que corresponde a Aplicação de renda fixa, CDB, RDB e outros. Você também deve informar o CNPJ e o nome da sua corretora ou banco onde o investimento está registrado.
Você pode cair na malha fina, receber notificação da Receita Federal e estar sujeito a multas e juros. Além disso, a omissão de informações patrimoniais pode ser interpretada como sonegação fiscal, uma infração grave.
Sim. O programa da Receita Federal permite o envio de declaração retificadora a qualquer momento dentro do prazo de cinco anos. Basta corrigir as informações incorretas e reenviar a declaração com a opção retificadora marcada.
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Conclusão: Declare Corretamente e Invista com Tranquilidade
Declarar o Tesouro Direto no Imposto de Renda é uma obrigação simples quando você entende o processo e tem os documentos certos em mãos. Com o Informe de Rendimentos fornecido pela sua corretora ou banco, basta seguir o passo a passo que apresentamos neste guia para preencher corretamente as seções de Bens e Direitos e Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva e Definitiva.
Além disso, entender como funciona a tabela regressiva de alíquotas é fundamental para planejar seus investimentos de forma estratégica, aproveitando ao máximo os benefícios de manter os títulos por mais tempo. Portanto, quanto mais cedo você aprender a declarar corretamente, mais segurança e tranquilidade terá para continuar investindo e fazendo o seu dinheiro crescer.
Lembre-se sempre de consultar um contador ou profissional tributário em caso de dúvidas mais complexas, pois cada situação patrimonial pode ter particularidades que exigem atenção especializada. Assim, você garante que sua declaração esteja sempre em conformidade com as exigências da Receita Federal.
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